As novas guerras de BHObama

I Drones e assassinatos autorizados

A guerra é o domínio do governo dos gringos, mas, para que a Veja não me censure, e retomando este espaço de diálogo, debate e livre manifestação do pensamento, passarei a chamar o Estado dos gringos de Estados Unidos da América, ou EUA, mas mantenho a denominação “gringos”. Recuso-me a chamar os gringos de americanos. Somos todos americanos, do extremo norte do Canadá aos confins sul da Patagônia argentina. Também não cabe chamar os gringos de norte-americanos. Canadenses, mexicanos e gringos são norte-americanos. Mexicanos perderam mais da metade de seu território para os gringos, em guerras de rapina, mas continuam norte-americanos.

Não interessa quem seja o presidente dos gringos; a máquina funciona além e acima dos seus desejos. Como o sistema é presidencialista, e, ipso facto, personalista, muitas vezes a personalidade do ocupante da cadeira da Casa Branca ameaça alterar os rumos do Estado. Se a ameaça adquire contornos de grandeza, o ocupante é abatido, a tiros, caso mais recente de Kennedy, ou mediante métodos parlamentares, caso de Nixon. Os ocupantes da cadeira costumam comportar-se por saber da sua fragilidade.

BHObama não muda o figurino: é obediente, apenas medianamente atrevido, e cumpre o script com razoável esperteza. Para sua reeleição, contra um dinossauro estúpido radical medieval, foi-lhe fácil declarar-se a favor de casamento gay, acenar com mais liberalidade frente a drogas, favorecer assistência social mínima aos pobres, declarar apoio à legalização dos imigrantes latinos em massa, retirar tropas de um Iraque falido de guerra perdida – mais uma, aliás, após Coréia, Vietnã e muitas campanhas de invasão e rapina em todos os continentes, com exceção da Antártica, ao menos por enquanto. Eleição é campanha, repleta de sabonetes e anúncios, mas governo é trem diverso.

BHObama herdou um Estado monolítico fascista, falido em matéria de economia e finanças, mas armado aos dentes. E herdou também uma nova tecnologia de guerra. Antes, guerra era coisa de forças armadas, tropas de terra, navios e aviões, ocupações de países e territórios. O estúpido George Bush filhote insistiu na premissa e invadiu Iraque e Afeganistão com tropas. Hoje, mesmo um fascista como o alvar filhote jamais conseguiria repetir a façanha. Veja-se o comportamento do país na destruição da Líbia, e, hoje, da Síria. Tropas, não: forças “especiais”, de inteligência, mas nada de invasão grosseira.

A guerra hoje se baseia em tecnologia. Aviões sem piloto, drones, são sediados a partir de bases em certos pontos do planeta, e operados a partir de computadores em algumas bases no território gringo. Há mais “pilotos” hoje em treinamento para operação de drones do que pilotos para aviões de guerra. Bombardear alvos no Paquistão e no Afeganistão é mais videogame que guerra, embora seja mais mortal. As informações vêm de satélites e gepeésses e bases da CIA em terra, mas sempre morrem civis – “danos colaterais” que aumentam o ódio das populações contra os gringos, no Paquistão, Afeganistão, Yemen, Somália, Iraque, Líbia, Síria, Mali etc., ao sabor dos “inimigos da hora”.

Outro ponto da guerra atual é o assassinato livre de “inimigos”, em direção contrária às leis de guerra, direito a que se arroga o poder gringo a partir da legislação fascista vigente após os “false-flag atentados” de 2001: eliminação do habeas corpus, prisão sem alegação de culpa e sem direito a defesa, detenção indefinida e secreta de qualquer cidadão, eliminação de “inimigos” do Estado gringo e outras violações do direito internacional consagrado pela humanidade.

BHObama todo dia exerce um “direito” não divulgado: escolhe, a partir de lista fornecida pelas 16 agências de inteligência e segurança do seu país, quem deve morrer, quem será eliminado. A mídia, claro, omite o fato. Mas sabe-se que o prêmio nobel da paz, todo dia, faz questão de anotar, da lista que lhe fornecem, quem vai morrer. A “lei” vigente hoje no seu país garante a ele o direito de assassinar qualquer ser humano, inclusive cidadão estadunidense, dentro ou fora do seu território.

É a “nova guerra”. A palavra assassino ganhou novo tom. Os Estados Unidos da América são governados por um “assassino legal”. Esta é a face real do mundo hoje.

Próximo artigo: a fascistização da vida civil e a militarização da política interna dos EUA.

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