O significado da nomeação de John Brennan

A nomeação para a chefia da CIA de John Brennan, conselheiro para contraterrorismo do governo BHObama e criador e condutor do programa de assassinatos extrajudiciais com o uso de drones, expõe o aprofundamento do Estado fascista.

Brennan concorre pela segunda vez à chefia da CIA. Na posição de vice do chefe antecessor, George Tenet, sua indicação por BHObama para a chefia da agência, no início do seu primeiro mandato, foi recusada pelo Senado. A razão: sua defesa da tortura de prisioneiros políticos pela agência e pelas forças armadas. Agora, tem-se como certa sua aprovação. Mesmo com as certezas de que suas posições não mudaram. Não: mudou o Congresso, a política. Aos poucos, as sombras fascistas vão se tornando novas luzes.

Tortura

A tortura como técnica de obtenção de informações nem sempre confiáveis  sempre esteve presente no governo dos EUA. Nas décadas de 1960 e 1970, a América Latina foi povoada por ditaduras armadas e/ou apoiadas pela CIA. Basta lembrar o papel dos EUA na instauração das ditaduras de Brasil, Argentina e Chile, por exemplo. As técnicas de tortura eram ensinadas por especialistas militares em cursos que envolveram a maior parte do oficialato latino-americano.

Com a ascensão à presidência de George Bush filhote e a sua corte de políticos e analistas tendentes ao fascismo, ilustrada por figuras sinistras como Donald Rumsfeld, Defesa, e o vice Dick Cheney, e o núcleo reunido em torno do Projeto para um Novo Século Americano, a tortura foi institucionalizada e disseminada. Prisões secretas foram instaladas em dezenas de países, até mesmo em ‘democráticos’ como Polônia e Letônia. O assassinato de combatentes, principalmente muçulmanos, após tortura deixou de ser exceção. Esta política foi e é defendida por John Brennan.

Drones

Na recente audiência no Senado para aprovação de sua nomeação, Brennan contornou a pergunta sobre o uso de drones para assassinatos extrajudiciais, claramente em oposição aos preceitos legais e constitucionais. À pergunta sobre se o governo poderia estender o assassinato com drones ao solo estadunidense, Brennan respondeu que o governo estava determinado a “otimizar a transparência nesses assuntos, mas, ao mesmo tempo, otimizar o segredo e a proteção de nossa segurança nacional”. O World Socialist Web Site, www.wsws, destaca o assunto em sua edição de hoje, 19 de fevereiro.

O governo BHObama, acuado pelas acusações de que os assassinatos extrajudiciais, incrementados em seu “governo de mudança”, contrariam a Constituição, vem tentando legalizar seus crimes mediante medidas paliativas. Uma delas é a criação de “tribunais secretos especiais” para aprovação das listas de pessoas a serem assassinadas, tarefa hoje de sua exclusiva responsabilidade.

O pai dos drones

O governo Bush filhote empreendeu diversas políticas que tiveram (e têm) por base a violação de preceitos constitucionais. Na verdade, o governo Bush ignorou e rasgou a Constituição, com a conivência dos poderes legislativo e judiciário. Entre outras medidas:

* fingiu papel de omisso na lenta e complexa organização dos atentados de 2001 às torres gêmeas, que lhe deram direito às ações subsequentes / * impôs a um Congresso amedrontado a Lei Patriota, que extinguiu direitos internacionais plurisseculares como o do habeas corpus / * tornou rotina a prisão de qualquer cidadão em qualquer parte do mundo, a partir daí privado dos seus direitos ancestrais de defesa e assistência por advogados / * empreendeu invasões de países contra os quais não havia declaração de guerra, negando cláusula expressa da Constituição / * mentiu e falsificou informações perante a comunidade internacional e o Conselho de Segurança da ONU / * instaurou programa de prisões secretas disseminadas em dezenas de países (até mesmo ‘democráticos’ como Tailândia, Polônia, Lituânia, Romênia e Marrocos)  e um programa de tortura sistemática contra inimigos combatentes, com ênfase para muçulmanos / * criou um programa de assassinatos extrajudiciais com drones, aviões sem piloto: neste programa, contou com a supervisão de John Brennan / * violando dispositivo secular, colocou tropas militares no solo do país / * criou uma polícia interna voltada para a repressão aos dissidentes do país, violenta, arbitrária e bilionária (orçamento anual de mais de US$ 70 bi) / *etc.

Outra medida de alcance sem fim foi  definição da política estratégica de “guerra ao terror”, criação de seu governo para tornar perpétuas, agora com “justificação”, as intervenções armadas em todo o mundo. Esta inovação perversa implica que o governo dos EUA passa a definir a seu talante o que seja “terrorista” ou “organização terrorista”. A Lei Patriota incluiu a generalização entre seus arbítrios: uma demonstração de rua que atrapalhe o trânsito pode ser enquadrada como “ação terrorista”, tanto quanto uma greve.

O patrono do encobrimento

O governo BHObama bloqueou todas as tentativas de levar aos tribunais os responsáveis pela barbárie em que se constituiu a política interna e externa do país desde 2001. Ao contrário, incrementou o uso de drones para assassinatos extrajudiciais, sob a supervisão do agente que pretende colocar na chefia da CIA.

A cada vez maior ausência de resistência a essa onda fascista no país mostra a persistente penetração dos conceitos e das práticas fascistas na política e na vida civil estadunidense. O chamado Comitê de Assuntos de Inteligência do Senado nunca realizou sequer uma sessão para tratar dos drones. Matar alguém sem processo ou acusação em qualquer parte do mundo tornou-se rotina, praticada a partir de uma tela sobre alvos selecionados sob critérios sempre secretos.

Não satisfeito com sua campanha assassina ilegal e condenável, BHObama vem de criar uma medalha para condecorar pilotos de drones, meros operadores de videogames do crime. A insensibilidade da maioria dos políticos e muitos dos cidadãos frente a esse quadro lembra irresistivelmente o fim da República de Weimar e a ascensão de Adolf Hitler ao comando político da Alemanha.

Lá, como agora nos EUA, as grandes indústrias, principalmente as da guerra, estavam associadas às finanças e ao governo. Um velho filme reprisado, mas com uma diferença fundamental: agora há mais de 10 mil ogivas nucleares no jogo, e os drones realizam a tarefa suja sem que soldadinhos morram.

Finalmente, uma guerra limpa: mata-se o “inimigo” (paciência: mulheres e crianças morrem também, mas ninguém é perfeito…) e ninguém morre do lado do assassino. Ao contrário: os operadores dos assassinatos são condecorados. E a CIA considera terrorista nos crimes com drones qualquer adulto do sexo masculino.

E o assassino-chefe BHObama é celebrado pela mídia em todo o mundo pela conquista do seu segundo mandato. Como se fosse um herói da “democracia” e da “liberdade”. O que diz tudo sobre essa mídia.

Veja-se o video: http://www.informationclearinghouse.info/article30620.htm

 

 

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BHObama e o Estado assassino

As promessas de BHObama na campanha pelo seu primeiro mandato não foram cumpridas. Mas ele se salva agora com a área “social”: imigrantes, serviços médicos, aumento de impostos para ricos que nada pagam, coisinhas menores do imenso Estado imperial em acelerada decomposição social e econômica.

O infame e abjeto centro de “torturas científicas” de Guantánamo continua em operação. As prisões secretas em vários países continuam em operação. As prisões de “suspeitos” e sua entrega a governos torturadores continuam em operação.

A prisão de qualquer cidadão sem razão, comunicação a familiares ou advogados, e a manutenção do preso por tempo indeterminado em caráter secreto é parte do aparato jurídico do atual império. Para o governo BHObama, tanto quanto para o do odioso Bush, é “legal”. As tentativas de processar membros do governo fascista de Bush filhote foram barradas por BHObama.

Os financistas responsáveis pela maior crise da história do capitalismo e dos EUA, que persiste intacta, se não pior, continuam impunes; nenhum foi sequer processado. Melhor: foram regiamente recompensados com a compra de títulos podres para ‘limpar’ os ativos de seus bancos-gângsters e com doações generosas de dinheiro público.

Drones

Os ataques com aviões sem piloto, os ‘drones’, são especialmente bem vistos hoje pelas forças armadas, já que nenhuma vida de militares ou agentes estadunidenses corre riscos. Sob BHObama, os drones vicejaram, e hoje há mais pilotos de drones sendo treinados no país do que pilotos de aviões de guerra ’convencionais’.

BHObama gosta de drones: matam cidadãos de outros países, nenhum cidadão dos EUA se arrisca, e as mortes são sempre noticiadas pela big midia como de “terroristas”, felizmente eliminados para a segurança do país. A palavra mágica autoriza tudo: matar “terroristas” é ato até mesmo cristão, e, se forem carimbados como da ficção “Al Qaeda”, melhor ainda.

A questão é que nesses ataques morrem muitos civis, crianças, mulheres e idosos, pessoas que nada têm a ver com a ação de inimigos do império. Muitas bases secretas pelo mundo operam esses drones, estando a sede em território dos EUA. Nem sempre as informações sobre os ‘inimigos’ são plenamente confiáveis. Além disso, muitas forças imperiais mantêm drones em ação: forças armadas, CIA, Departamento de Segurança Interna, Guarda Costeira, e outras.

Mais além da imaginação

Mas a questão dos drones ultrapassa as simples e falsas posições que a grande mídia insiste em nos apresentar como os ‘problemas’. Há algumas condições que podem desenvolver-se na direção de crises sem solução. Algumas delas:

.1  É absolutamente inaceitável que um governo como o de BHObama, sob a falsa alegação de que empreende uma “guerra ao terror” sem final à vista (pantomima que já dura desde 2001), dedique-se a assassinar cidadãos de outros países, sem processo legal, sem acusação e sem sequer saber seus nomes, caso da maioria. A não ser que todos os governos sejam como o do Paquistão, país que assiste com protestos verbais inócuos à operação de drones assassinos em seu território.

A rede de TV NBC acaba de revelar um documento de 16 páginas do Departamento de Justiça (ministério) em que se expõe a validade de se passar a assassinar cidadãos estadunidenses com drones, desde que “um alto funcionário” identifique tais cidadãos como ameaça à segurança do país. A indicação fica mais fácil: basta um funcionário; nada de análises de serviços de inteligência, pesquisas acuradas, etc.; basta um dedo de um funcionário. É aterrorizante o nível em que o fascismo vai penetrando os tecidos mais íntimos do poder nos EUA.

3  Uma das tarefas diárias de BHObama é aprovar a “Kill List”, a relação de pessoas que serão assassinadas por drones em todo o mundo (Paquistão, Afeganistão, Somália, Yemen, Indonésia, agora Mali, etc.). É aterrorizante o nível delirante em que o fascismo vai penetrando a vida do poder e o trabalho diário dos mais altos escalões, incluído o presidente.

Recentemente foi noticiada a elaboração do ‘Manual de Assassinatos’, conjunto de instruções sobre os critérios de se matar ‘inimigos’, documento ao qual se dedicam hoje altos assessores do presidente, sob sua supervisão. A medida foi considerada necessária em razão da multiplicação das bases de drones e das forças que passam a dispor do aparato.

É preciso disciplinar sem burocracia: por exemplo, uma base secreta no Yemen passará a ter autonomia para, conforme o manual, disparar mísseis contra alvos ‘inimigos’ identificados.

Todo dia (ver correção ao final), o presidente dos Estados Unidos da América aprova uma lista de pessoas a serem assassinadas, sem conhecer sequer uma delas, sem saber de que são acusadas, sem preocupar-se com procedimentos jurídicos. Mate-se, e está feito o negócio. Uma pena que morram civis inocentes… a vida, digo, a morte é assim mesmo, deve ele dizer para Michelle nas suas noites insones.

Há pouco o Irã capturou e baixou um drone dos EUA que se intrometera em seu espaço aéreo. O regime teocrático dos aiatolás deu difusão ao fato e afirmou que estavam sendo levados a efeito estudos tecnológicos sobre o artefato. Ou seja, é possível que um avião pilotado por controle remoto admita a entrada de outro controle sobre seus instrumentos.

Pouco após o Irã ter capturado o drone, uma equipe de universidade dos EUA, manipulando um aparelho construído lá mesmo por cerca de 1 mil dólares, obrigou um drone a pousar no campo próximo ao campus. Em pouco tempo, jovens semelhantes aos hackers atuais estarão capturando drones armados com mísseis e bombas de última geração. Aliás, da mesma maneira em que entram hoje nos mais impenetráveis sites, como os do próprio Pentágono. É possível, é fácil, e não deve demorar.

A concepção de drones vai muito além de aviões de pequeno porte capazes de carregar armas de destruição poderosas. O Pentágono, maior financiador de pesquisas em universidades dos EUA, vem aperfeiçoando a busca por objetos minúsculos capazes de filmar, gravar, transmitir e documentar, ou atirar substâncias nocivas no ambiente.

http://www.informationclearinghouse.info/article34040.htm. Video oficial

Não se trata, como afirmou um jornal da grande mídia, de drones do tamanho de um beija-flor. Isso já existe aos montes. O nó é o que os luminares do Pentágono chamam de “poeira inteligente”: a aplicação da nanotecnologia a serviço de um Estado assassino.

Como se vê, os drones vieram para ficar; e, caso se mantenham as linhas atuais, para transformar a vida de todos num inferno.

Post scriptum

(1) Ontem, 7 / 2 / 2013, John Brennan, em audiência no Senado dos EUA para aprovação (ou não) de sua indicação a chefe da CIA, defendeu o programa de ataque com drones, do qual ele é o principal arquiteto, como “mais humano” que bombardeios e ataques, e afirmou também que “as vítimas civis são raras”. São suas as palavras.

Ou seja, uma só morte não significa mais nada para o Estado imperial. As questões de ordem jurídica, ética, moral e lógica desaparecem perante este argumento: Como matar com drones é mais econômico, mata menos gente (apesar de matar civis), poupa vidas de cidadãos dos EUA, é ‘cirúrgico’, etc., então os drones ficam ‘justificados’.

Este tipo de pensamento só pode vicejar numa cultura política fascista, em que o assassinato tornou-se norma diária, e em que o presidente toda semana (corrijo-me: não é todo dia) aprova o despejo de bombas ‘localizadas’ sobre ‘inimigos eternos’, definidos como tal após a falsificação dos ataques às torres em 2001.

BHObama mantém as farsas de Bush, e nunca se esperou que fosse diferente, apesar do clamor da mídia em favor de sua presença política no país como ‘renovação’, ‘novos tempos’, etc. É a mesma coisa, a mesma farsa, o mesmo assassino.

(2) Mais de 50 países operam drones, a maioria como parte de sistemas de vigilância. A pergunta que vem sendo posta é simples: se os EUA podem bombardear países contra os quais nunca houve declaração de guerra, a exemplo de Paquistão, Yemen e Somália, o que impede qualquer outro país de bombardear áreas de seus inimigos, inclusive os próprios EUA? E que tal a China passar a bombardear Taywan? E o Irã reagir contra Israel, que pretende bombardear o país em nome de interromper seu programa nuclear enquanto é o único país do Oriente Médio armado até os dentes com armas nucleares? É uma velha pergunta que crianças se fazem: porque só você pode brincar? Eu também posso.

 

 

 

 

 

 

 

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