BHObama e o Estado assassino

As promessas de BHObama na campanha pelo seu primeiro mandato não foram cumpridas. Mas ele se salva agora com a área “social”: imigrantes, serviços médicos, aumento de impostos para ricos que nada pagam, coisinhas menores do imenso Estado imperial em acelerada decomposição social e econômica.

O infame e abjeto centro de “torturas científicas” de Guantánamo continua em operação. As prisões secretas em vários países continuam em operação. As prisões de “suspeitos” e sua entrega a governos torturadores continuam em operação.

A prisão de qualquer cidadão sem razão, comunicação a familiares ou advogados, e a manutenção do preso por tempo indeterminado em caráter secreto é parte do aparato jurídico do atual império. Para o governo BHObama, tanto quanto para o do odioso Bush, é “legal”. As tentativas de processar membros do governo fascista de Bush filhote foram barradas por BHObama.

Os financistas responsáveis pela maior crise da história do capitalismo e dos EUA, que persiste intacta, se não pior, continuam impunes; nenhum foi sequer processado. Melhor: foram regiamente recompensados com a compra de títulos podres para ‘limpar’ os ativos de seus bancos-gângsters e com doações generosas de dinheiro público.

Drones

Os ataques com aviões sem piloto, os ‘drones’, são especialmente bem vistos hoje pelas forças armadas, já que nenhuma vida de militares ou agentes estadunidenses corre riscos. Sob BHObama, os drones vicejaram, e hoje há mais pilotos de drones sendo treinados no país do que pilotos de aviões de guerra ’convencionais’.

BHObama gosta de drones: matam cidadãos de outros países, nenhum cidadão dos EUA se arrisca, e as mortes são sempre noticiadas pela big midia como de “terroristas”, felizmente eliminados para a segurança do país. A palavra mágica autoriza tudo: matar “terroristas” é ato até mesmo cristão, e, se forem carimbados como da ficção “Al Qaeda”, melhor ainda.

A questão é que nesses ataques morrem muitos civis, crianças, mulheres e idosos, pessoas que nada têm a ver com a ação de inimigos do império. Muitas bases secretas pelo mundo operam esses drones, estando a sede em território dos EUA. Nem sempre as informações sobre os ‘inimigos’ são plenamente confiáveis. Além disso, muitas forças imperiais mantêm drones em ação: forças armadas, CIA, Departamento de Segurança Interna, Guarda Costeira, e outras.

Mais além da imaginação

Mas a questão dos drones ultrapassa as simples e falsas posições que a grande mídia insiste em nos apresentar como os ‘problemas’. Há algumas condições que podem desenvolver-se na direção de crises sem solução. Algumas delas:

.1  É absolutamente inaceitável que um governo como o de BHObama, sob a falsa alegação de que empreende uma “guerra ao terror” sem final à vista (pantomima que já dura desde 2001), dedique-se a assassinar cidadãos de outros países, sem processo legal, sem acusação e sem sequer saber seus nomes, caso da maioria. A não ser que todos os governos sejam como o do Paquistão, país que assiste com protestos verbais inócuos à operação de drones assassinos em seu território.

A rede de TV NBC acaba de revelar um documento de 16 páginas do Departamento de Justiça (ministério) em que se expõe a validade de se passar a assassinar cidadãos estadunidenses com drones, desde que “um alto funcionário” identifique tais cidadãos como ameaça à segurança do país. A indicação fica mais fácil: basta um funcionário; nada de análises de serviços de inteligência, pesquisas acuradas, etc.; basta um dedo de um funcionário. É aterrorizante o nível em que o fascismo vai penetrando os tecidos mais íntimos do poder nos EUA.

3  Uma das tarefas diárias de BHObama é aprovar a “Kill List”, a relação de pessoas que serão assassinadas por drones em todo o mundo (Paquistão, Afeganistão, Somália, Yemen, Indonésia, agora Mali, etc.). É aterrorizante o nível delirante em que o fascismo vai penetrando a vida do poder e o trabalho diário dos mais altos escalões, incluído o presidente.

Recentemente foi noticiada a elaboração do ‘Manual de Assassinatos’, conjunto de instruções sobre os critérios de se matar ‘inimigos’, documento ao qual se dedicam hoje altos assessores do presidente, sob sua supervisão. A medida foi considerada necessária em razão da multiplicação das bases de drones e das forças que passam a dispor do aparato.

É preciso disciplinar sem burocracia: por exemplo, uma base secreta no Yemen passará a ter autonomia para, conforme o manual, disparar mísseis contra alvos ‘inimigos’ identificados.

Todo dia (ver correção ao final), o presidente dos Estados Unidos da América aprova uma lista de pessoas a serem assassinadas, sem conhecer sequer uma delas, sem saber de que são acusadas, sem preocupar-se com procedimentos jurídicos. Mate-se, e está feito o negócio. Uma pena que morram civis inocentes… a vida, digo, a morte é assim mesmo, deve ele dizer para Michelle nas suas noites insones.

Há pouco o Irã capturou e baixou um drone dos EUA que se intrometera em seu espaço aéreo. O regime teocrático dos aiatolás deu difusão ao fato e afirmou que estavam sendo levados a efeito estudos tecnológicos sobre o artefato. Ou seja, é possível que um avião pilotado por controle remoto admita a entrada de outro controle sobre seus instrumentos.

Pouco após o Irã ter capturado o drone, uma equipe de universidade dos EUA, manipulando um aparelho construído lá mesmo por cerca de 1 mil dólares, obrigou um drone a pousar no campo próximo ao campus. Em pouco tempo, jovens semelhantes aos hackers atuais estarão capturando drones armados com mísseis e bombas de última geração. Aliás, da mesma maneira em que entram hoje nos mais impenetráveis sites, como os do próprio Pentágono. É possível, é fácil, e não deve demorar.

A concepção de drones vai muito além de aviões de pequeno porte capazes de carregar armas de destruição poderosas. O Pentágono, maior financiador de pesquisas em universidades dos EUA, vem aperfeiçoando a busca por objetos minúsculos capazes de filmar, gravar, transmitir e documentar, ou atirar substâncias nocivas no ambiente.

http://www.informationclearinghouse.info/article34040.htm. Video oficial

Não se trata, como afirmou um jornal da grande mídia, de drones do tamanho de um beija-flor. Isso já existe aos montes. O nó é o que os luminares do Pentágono chamam de “poeira inteligente”: a aplicação da nanotecnologia a serviço de um Estado assassino.

Como se vê, os drones vieram para ficar; e, caso se mantenham as linhas atuais, para transformar a vida de todos num inferno.

Post scriptum

(1) Ontem, 7 / 2 / 2013, John Brennan, em audiência no Senado dos EUA para aprovação (ou não) de sua indicação a chefe da CIA, defendeu o programa de ataque com drones, do qual ele é o principal arquiteto, como “mais humano” que bombardeios e ataques, e afirmou também que “as vítimas civis são raras”. São suas as palavras.

Ou seja, uma só morte não significa mais nada para o Estado imperial. As questões de ordem jurídica, ética, moral e lógica desaparecem perante este argumento: Como matar com drones é mais econômico, mata menos gente (apesar de matar civis), poupa vidas de cidadãos dos EUA, é ‘cirúrgico’, etc., então os drones ficam ‘justificados’.

Este tipo de pensamento só pode vicejar numa cultura política fascista, em que o assassinato tornou-se norma diária, e em que o presidente toda semana (corrijo-me: não é todo dia) aprova o despejo de bombas ‘localizadas’ sobre ‘inimigos eternos’, definidos como tal após a falsificação dos ataques às torres em 2001.

BHObama mantém as farsas de Bush, e nunca se esperou que fosse diferente, apesar do clamor da mídia em favor de sua presença política no país como ‘renovação’, ‘novos tempos’, etc. É a mesma coisa, a mesma farsa, o mesmo assassino.

(2) Mais de 50 países operam drones, a maioria como parte de sistemas de vigilância. A pergunta que vem sendo posta é simples: se os EUA podem bombardear países contra os quais nunca houve declaração de guerra, a exemplo de Paquistão, Yemen e Somália, o que impede qualquer outro país de bombardear áreas de seus inimigos, inclusive os próprios EUA? E que tal a China passar a bombardear Taywan? E o Irã reagir contra Israel, que pretende bombardear o país em nome de interromper seu programa nuclear enquanto é o único país do Oriente Médio armado até os dentes com armas nucleares? É uma velha pergunta que crianças se fazem: porque só você pode brincar? Eu também posso.

 

 

 

 

 

 

 

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