As lágrimas do Neguinho

Um jovem psicopata de 20 anos, fauna abundante na chamada América do Norte ou Estados Unidos da América, assassinou (tudo indica que com comparsas, fato ainda obscuro na imprensa) 20 crianças e 6 mestres e funcionários numa escola elementar de uma pequena cidade até então pacífica e sossegada, no nordeste do país, região desenvolvida onde tudo começou antes da expulsão dos conquistadores britânicos, declarados assassinos.

O reeleito presidente BHObama, prêmio nobel da paz logo após a primeira eleição (o que esclarece a falsificação em que se tornou o tal prêmio), manifestou-se a respeito e, durante seu pronunciamento, deixou correr algumas lágrimas. Emocionou-se o rapaz.

A imprensa pressurosa reproduziu o momento, o rosto congestionado, a emoção do homem mais poderoso do mundo que chorava a morte de 20 crianças nas mãos de um louco. (Fotos e notícias de massacres sistemáticos de famílias no Afeganistão, soldados urinando em cadáveres, milicos com coleções de dedos e ossos de “inimigos”, claro, nada disso cabia nessa hora).

No mesmo dia, o mesmo presidente autorizou mais ataques de aviões sem piloto, chamados drones, contra populações indefesas em que, invariavelmente, morrem muitas crianças, mulheres, velhos e outros cidadãos alheios às razões imperiais dos ataques: eliminar “terroristas inimigos”. Alguns países têm sido vítimas desses ataques, com destaque para Afeganistão, Yemen, Somália, Paquistão, Sudão, e um vasto etc.

A expansão do programa de assassinatos por drones é exclusiva responsabilidade de BHObama, nada a ver com alguma herança do abominável George Bush. Hoje, treinam-se mais pilotos de drones nos EUA do que pilotos de aviões de combate. Para quem não sabe: operadores de drones trabalham em frente a telas de computadores, e comandam máquinas de morte com botões, em bases situadas no território dos EUA. É quase um videogame. Só que mortal.

Matar crianças é esporte antigo. Agora mesmo, o representante da ONU/Unicef  no Yemen denuncia que mais da metade da população infantil iemenita é desnutrida, a maioria de forma aguda.

Matar crianças pode ocorrer por outra maneira, mais sutil, que até mesmo escapa dos olhos da “imprensa”. Na guerra do Vietnã, mais de 1 milhão de crianças foram mortas, seja por bombardeios, seja por doenças derivadas do despejo de venenos nas plantações, seja por desnutrição ou por tristeza pela privação de seus lares e pais e familiares.

Em 2001, o celerado Saddam Hussein, julgando-se no seu direito (o que nunca ninguém lhe negou), tentou retomar seu antigo território iraquiano do Kuwait, riquíssimo em petróleo, e que havia sido usurpado pelos imperiais dominadores que definiram os ‘Estados’ artificiais do Oriente Médio, norte da África etc.

O então presidente Bush pai, junto com o Reino Unido (o mesmo da rainha bilionária), dedicou-se durante 12 anos, até 2003, a eliminar toda forma de vida social no então Iraque.

Estabeleceu-se uma zona de exclusão aérea, imobilizou-se qualquer resistência, montou-se sistema complexo de bloqueio econômico (como com Irã hoje), e durante 12 anos aviões sem defesa bombardearam hospitais, adutoras, escolas, instalações elétricas, plantações, pontes e obras civis, sistemas de abastecimento de água de cidades e vilas, estradas, numa campanha compreensivelmente ignorada pela “imprensa”.

Em 2003, o filhote fascista George Bush completou a obra e invadiu o país com toda a força do império. Foi fácil: a resistência inexistia. Anotam-se cerca de 1.800.000 mortos e 4.500.000 de expulsos de seus lares, sendo 2.500.000 para outros países. Entre estes, a maioria sempre foi de crianças.

Mas isso é história, chuva no molhado. O que é necessário destacar é que o bloqueio entre 1991 e 2003 atingiu medicamentos, equipamentos hospitalares, e chegou até mesmo a tornar raro o giz escolar.

Agências da ONU e dezenas de agências de países constatam, sem possibilidade hoje de contestação, que cerca de 500 mil crianças morreram de doenças evitáveis e curáveis caso existissem condições sanitárias normais, água pura, medicamentos elementares para doenças como diarréia, etc.

O número de 500 mil é hoje incontestável. 500 000 dividido por 20 dá exatos 25 000. Vinte crianças vezes vinte e cinco mil dá quinhentas mil crianças mortas.

Mas são crianças iraquianas, não são gente. As 700 mil crianças famintas do Yemen (que sofre ataques dos EUA diariamente, expressamente autorizados pelo Neguinho lacrimejante) também não contam, são seres de segunda classe.

Se alguém quiser ver nesses dados razões profundas da ação dos psicopatas que quase todo dia assassinam crianças e cidadãos nos EUA faria melhor do que ficar procurando explicações na venda livre de armas ou nas tradições violentas e assassinas da sangrenta história do país.

 

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2 thoughts on “As lágrimas do Neguinho

  1. Encheu o texto de estatísticas, moralismo, etc, etc, tudo muito bem colocado, tudo certo, mas ao chamar o presidente de forma pejorativa de “neguinho”, se equipara a todos os boçais citados no texto. Lamentável, quis fazer bonito mas não deu dessa vez !!!
    Racismo também é feio !!!!

    • Olha, cara Cláudia, chamei de Neguinho de forma carinhosa
      Eu chamo meus amores de minha nega, tá?
      Quis dizer só isso: o Neguinho é bonitinho, chora, se emociona
      ou seja, é o que chamamos no Brasil, carinhosamente, de Neguinho
      e no dia seguinte autoriza mais bombas sobre crianças e mulheres desconhecidas
      Detesto patrulhas como a sua. Minha maior arma na escrita é a ironia
      Lamento que você não tenha percebido dessa forma
      De qualquer modo, faço questão de registrar que odeio racismo e racistas
      tenho uma filha de criação de 12 anos mulata da gema filha de mulato
      e sou contra até a raiz o racismo de judeus contra palestinos, por exemplo
      ou o racismo embutido nos comportamentos “normais” deste nosso país racista
      Quanto a encher o texto de “estatísticas” e “moralismo”, ora! Que bobagem!
      Sou apenas um velho anarquista; moralismos eu como com farinha

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