O império de mitos

Chico Villela

Há diferença entre um império de mitos e os mitos de um império. Os mitos de um império pressupõem alternativas; um império de mitos bloqueia qualquer possibilidade que fuja à mitificação.

Na história da humanidade já foram registrados mais de 70 impérios. O maior em extensão territorial foi o do mongol Gengis Cã e seus descendentes, iniciado nas primeiras décadas do século 1200. O império dos dias de hoje, conduzido pelos Estados Unidos da América, é sucessor do império britânico, que se gabava de o sol nunca se pôr nos seus domínios em todo o planeta.

O império estadunidense (o termo ‘americano’ designa todos os povos, etnias e países do continente América; o nome América do Norte abrange Canadá, EUA e México) acha-se em acelerado processo de degradação econômico-financeira, social e política. Mas a maioria das mídias corporativas do mundo, que dominam a produção e a disseminação de notícias e informações, apresentam a imagem exatamente contrária sobre o império e seus associados, com destaque para a também decadente e ausente de rumos União Européia.

A elaboração de vasta mitologia envolve, além da mídia, miríades de entidades e pessoas. Nos fatos mais marcantes, como os atentados de setembro de 2001 às torres gêmeas em NY e ao Pentágono, ou nos mais corriqueiros, como mais um golpe de Estado em países latino-americanos (o Brasil é a bola da vez) e africanos, a máquina de impor versões favoráveis ao império funciona em silêncio e sem parar.

O objetivo desta pequena série ‘O império de mitos’ é apresentar as versões imperiais e tornar concretas análises e pontos de vista que desvendam as falsificações, as distorções, a fabricação e a disseminação de pretensas informações ‘verdadeiras’. Assim, estarão em foco temas como a guerra global ao terror, a guerra às drogas, o poder militar ‘invencível’, a abjeta realidade econômico-financeira e social, a prática e a promoção da ‘democracia’, a ‘liberdade de imprensa e informação’, a política imperial com relação aos chamados ‘inimigos’ como Rússia, China e Irã, a sujeição da União Européia aos mandos e desmandos, e outros temas correlatos.

Entre estes temas correlatos, um dos mais significativos é a realização de atentados e atos de violência planejados e levados à frente por setores do império e associados e atribuídos a inimigos. A expressão que os identifica é ‘false flag’, algo como ‘bandeira falsa’. A mídia, cumprindo seu papel de cúmplice e beneficiária da ação suja imperial, invariavelmente omite as verdades e amplia as versões. Um exemplo clássico, que já dura cerca de 15 anos, é o dos atentados de 2001 , seguidos do envio de cartas com esporos de antrax a destinatários no país, com meia dúzia de mortes.

Talvez esta seja a série de acontecimentos mais falsificados e mal contados da história recente. A versão fantasiosa de que terroristas islâmicos isolados, por mais de um ano, sem conhecimento das onipresentes 16 agências de inteligência do país, além do FBI, tenham planejado, financiado e implementado a destruição das torres do World Trade Center e de trecho da sede do Pentágono, não resiste à menor análise. O evento foi básico para o projeto neoconservador do chamado Novo Século Americano, iniciado com a invasão do Afeganistão e seguido pela criminosa ocupação e destruição completa do Iraque.

Outro tema que pode desvendar a real ação do império é sintetizado na palavra ‘blowback’. O conceito de blowback foi popularizado pelo analista Chalmers Johnson, ex-militar da Marinha dos EUA e autor de vários livros essenciais à compreensão dos fatos político-militares atuais. O conceito é resumido na deliciosa expressão brasileira “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”.

A íntima relação entre a CIA, a agência ISI de inteligência do Paquistão e Osama bin Laden, para o combate contra os invasores russos e seus aliados nos anos 1980 no Afeganistão, é um modelo perfeito da ação que, mais tarde, forneceu e continua fornecendo um formidável blowback contra o próprio império.

A respeito desses temas, a política externa do império é a melhor prova de que não existe concepção de política externa para o governo dos EUA, existe apenas o uso da força. São raríssimos os exemplos de diplomatas profissionais que influíram no andamento paquidérmico do império e seus desígnios nem sempre confessáveis.

A atual crise insolúvel das relações azedas entre EUA e Arábia Saudita, financiadora desta e de outras aventuras político-militares como a Al Qaeda e o terrorífico e assassino Estado Islâmico, Daesh, é mais uma confirmação da volta do cipó de aroeira no lombo do império.

Mas tudo isso, embora seja característica geral, mesmo assim merece tratamento de tema, é um dos pilares do império. O fundador da China moderna, Mao Ze Dong, chamava o império de ‘tigre de papel’. A julgar pelos temas e seus desdobramentos, Mao talvez tivesse razão.

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A brincadeira é a seguinte:

E vem sendo feita por vários analistas, e é real, e é séria, na mais legítima acepção do termo, embora a palavra mais apropriada seja grave.

Imagine que a China (ou a Rússia, ou o Irã, etc.) mova sua armada naval e seus 2 milhões de soldados chineses e suas forças armadas de ar e terra e invada o México e parte da América Central. Que assassine alguns milhões de cidadãos, monte bases imensas (algumas com mais de 30 mil militares de olhinhos puxados), deponha o governo mexicano, instale um governo fantoche estilo hondurenho e um reino de terror e assassinatos, proteja e estimule traficantes que colaboram com milhares de combatentes contra o governo (o que acontece tanto no Afeganistão quanto no México), financie os mais ilícitos negócios, desarticule as relações internacionais mexicanas com seus vizinhos latino-americanos… a lista é infinda.

Imagine em seguida que a China estabeleça um programa de bombardeios de aldeias e vilas independentemente de os alvos serem crianças, velhos, mulheres ou combatentes “inimigos”: que a China simplesmente envie aviões-robôs com bombas e mísseis para aniquilar manifestações, a exemplo de protestos, ações de guerrilha e… casamentos e festas familiares, que tal?

No México (e nos países atingidos como o Afeganistão, etc.), é tradição fazer salvas de tiros de fuzil e de outras armas nos momentos em que a noiva e o noivo são consagrados. O Afeganistão (e o México) abrigam povos que vivem armados. As salvas de tiros são entendidas pelas forças chinesas e pelos seus aviões-robôs como “ameaças”, e então os aviões-robôs bombardeiam a festa de casamento, em represália às ameaças.

Agora, imagine que, ao horror que se segue, com dezenas de mortos, entre eles em geral também os noivos e muitos familiares, alguns sobreviventes e vizinhos acorram para tentar saber se há sobreviventes e para tentar salvar vidas feridas. Então imagine que o avião-robô volta, um tempinho depois, e mata os que tentam salvar as vidas dos seus familiares na cerimônia de casamento (na contramão de leis internacionais que salvaguardam, por exemplo, entidades como a Cruz Vermelha, que socorre feridos de qualquer origem).

Esse procedimento, do segundo ataque, foi instituído como política de assassinato por  drones pelo governo chinês, sem qualquer embargo de uma instituição chamada ONO (Organização das Nações Omissas).

Agora, imagine que os invasores chineses (russos, iranianos etc.) tragam consigo técnicas de tortura refinadas. Criem prisões secretas em  vários países, seqüestrem pessoas consideradas por eles como “terroristas” em qualquer país e as movam, em vôos secretos do serviço de inteligência chinês conhecido como CIA (Cerviço de Inteligência Amarelo) consentidos por mais de 50 países (Latvia, Polônia, Afeganistão, Iraque, Reino Unido, etc.) para serem submetidas a torturas e, em boa parte dos casos, morte por assassinato.

As técnicas de tortura incluem muitas especialidades e capacidades de fazer sofrer, doer, aniquilar mentes (esta é a grande conquista da tortura: destruir a personalidade do prisioneiro), tornar as pessoas desejosas da morte.

Algumas técnicas desenvolvidas pelos chineses, e documentadas em suas prisões como a de Abu Ghraib, no Iraque (país que o perverso regime comunista de Mao Zedong invadiu em 2003) e de Baghram, no Afeganistão (invadido em 2001, com a colaboração do terrorista ocidental Osama bin Laden): simulação de afogamento (waterboarding, em inglês), nudez permanente, privação de sono, luz ou escuridão, ambientes gelados ou superquentes, som alto dia e noite, comida suja e podre, amarramento com coleiras e correntes, ameaças com cães, choques elétricos, colocação em situações de estresse físico como impedimento de deitar ou sentar, estupros com peças mecânicas variáveis, estupros reais, amontoamento nus em pilhas, obrigação de felação em companheiros prisioneiros, penduração pelas mãos ou pés durante horas… a lista de horrores chineses é infinita.

Então pense que os chineses construíram 800 campos de concentração e estocaram cerca de 500 mil caixões de defuntos em seu país para reprimir os protestos que começam a surgir em razão de sua política de enfiar dinheiro no cofre de bancos e retirar dinheiro do rendimento dos pobres, reduzir verbas de saúde pública e de aposentadorias, fechar escolas públicas, abandonar a infraestrutura do país, invadir a privacidade  de milhões de cidadãos, vetar o vôo doméstico de mais de 100 mil “potenciais terroristas”, entre eles pacatos professores universitários que insistem em pensar,  etc. A imprensa ocidental publicaria quilômetros de colunas de artigos denunciando a violação dos “direitos humanos” pelos chineses.

O analista David Swanson, comentando a recente indicação, por muitas pessoas e organizações, do herói whistleblower Bradley Manning para o prêmio nobel da paz, situou a questão numa interrogação pertinente: A questão não é saber se Bradley Manning é digno do prêmio nobel. A questão é a absoluta certeza de que o prêmio nobel da paz não é digno de Bradley Manning.

Concordo com Swanson. Afinal, o governante chinês BHObama recebeu o prêmio uma semana antes de enviar 30 mil soldados chineses ao Afeganistão, para “reforço” das tropas invasoras.

Confúcio, Kung Fu Tse, é quem tinha razão: a paz deveria ser a condição permanente. Se há de haver prêmios, que sejam destinados à guerra legítima de defesa contra ataques indignos.

Mas penso que os atuais governantes da China não iriam gostar da idéia…

 

 

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BHObama finalmente alimenta Guantánamo na marra

Há uma greve de fome rolando entre os presos da mais infame prisão do mundo,  Guantánamo. A imprensa-empresa, claro, ignora. São quase trinta presos em greve de fome. Logo começarão a morrer. Os carcereiros tentam alimentar os grevistas à força, por injeções de alimentos pelo nariz.

Certamente, Guantánamo é a maior iniqüidade do século XXI. Hoje, é obra de BHObama. Mas não a maior: os drones assassinos são, certamente, sua maior glória, que dignificam seu prêmio nobel da paz. Sem aspas: o prêmio merece.

Não há mais nada a dizer. O prêmiosidente nobel da “paz” é quem tem a fazer: fingir que não viu e calar a boca da imprensa-empresa (sem dificuldade: essa entidade se cala por si, na sua mais absoluta demonstração de vocação para a canalhice).

O carinha andou por Israel abraçando a sua amada extrema-direita e ralando-se para os palestinos. Logo depois, a Turquia, membro da assassina Otan, vem de  reatar relações com Israel, rompidas na época do ataque contra a flotilha de paz que intentava romper o bloqueio à Faixa de Gaza palestina.

A mesma Turquia mostra-se aberta às forças islamistas classificadas como “terroristas” pelo Departamento de Estado, mas que vêm sendo nutridas e armadas pelo mesmo DE com o auxílio da inefável CIA. Abre suas fronteiras e suas pernas para o fluxo de armas e combatentes terroristas contra o regime sírio da vizinha Síria, antes tolerada aliada.

O mesmo filme: o inimigo fictício de hoje é o amigo de amanhã e o inimigo de depois das amanhãs de bombardeios.

O embaixador-agente da CIA foi morto em Benghazi, ex-Líbia (a Líbia foi destruída-dissolvida pela força das armas do império),  foi pro beleléu com armas fornecidas pelo império e seus amigos. O falso socialista francês Hollande levou mais de 3 mil soldados do seu país francês pra conter ataques de “terroristas” saídos da Líbia que foram armados e financiados e incentivados pela França na Libia (mais Itália, UK e império) e, segundo a mídia serva, agora ameaçam a “estabilidade” do Mali, vizinho do Níger, que fornece 30% do combustível nuclear para as usinas francesas. Armas francesas matam soldados franceses na antiga colônia francesa africana: velho filme de volta, agora pelas mãos de um “socialista”.

Os “terroristas” usam armas fornecidas pela Otan, França inclusive. O império passa como trator sobre as questões delicadas de povos e regiões que foram suas colônias, e que agora voltam ao status colonial pela força das mesmas armas de antes. O comando africano imperial, Africom, tenta superar a influência da China, como se fosse possível.

Mas os velhos colonialistas não percebem que o jogo mudou, o mundo é outro. O império invadiu o Iraque, matou mais 1 milhão 500 mil pessoas, provocou êxodo de mais de 2 milhões 500 mil familiares, jogou mais de 2 milhões para fora do país, exilados sem futuro, dividiu um país antes secular em três facções sectárias em guerra, mas, afinal, saiu derrotado.

Mataram mais de 2 milhões 500 mil pessoas, velhos, crianças, mulheres e poucos combatentes homens, no Vietnã. E saíram com o rabo entre as pernas. Agora, vão sair, melhor, serão saídos, do Afeganistão, com muitos rabos entre as pernas. Ou seja, essa política da força mata, aniquila, destrói, mas é sempre derrotada ao final.

Todo império tem seu apogeu e seu fim. O mundo já conheceu pouco mais de 70 impérios ao longo da história humana registrada. Ao final, o império gringo é apenas mais um. E morre por dentro, como se vê: endividado, reduzindo pensões, cortando benefícios sociais, fechando escolas públicas, mantendo mais de 800 campos de concentração no país e um estoque fantástico de 500 mil caixões de defunto. E, como se vê, morre também por fora.

Alguém já viu a imprensa-empresa falar nos 800 campos de concentração e nos 500 mil caixões em estoque no país?

 

 

 

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BHObama é o pior presidente da história

A Rede castorphoto reúne 41 mil participantes e distribui matéria de interesse diariamente. Uma dessas matérias é este artigo do escritor e ativista Ron Ridenour.

 

Agora, falando sério: Obama é o pior presidente que os EUA jamais tivemos

11/3/2013, Ron RidenourCounterpunch

I Ain’t Joking: “Obama is the Worst US President Ever”

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Ron Ridenour nasceu no país onde nasceu o diabo Bush. É jornalista e veterano ativista radical, autor de nove livros –  Yankee SandinistasBackfire: The CIA’s Biggest Burn entre outros; seu livro mais recente éTamil Nation in Sri Lanka.

Este artigo foi publicado originalmente emThisCantBeHappening.net.

 

É. É isso mesmo: os EUA jamais tivemos presidente pior que Obama.

Tivemos James Monroe e sua doutrina de supremacia sobre a América Latina. Tivemos Theodore Roosevelt, que invadiu Cuba; Nixon, Reagan, Bush-Bush e seus assassinatos em massa e todos os crimes de guerra e genocídio que, de fato, vários presidentes dos EUA cometeram. Mas jamais antes os EUA tiveram presidente negro a cometer crimes de guerra, sentado no trono branco do imperialismo. Obama trai, além dos brancos que votaram nele, também todos os negros norte-americanos que jamais esperaram, de presidentes brancos, o muito que esperaram de Obama.

Pois lá está ele, assassinando mais pessoas no Afeganistão que Bush, apoiando mais golpes na América Latina, sempre destruindo cada vez mais o Iraque, matando com drones, sabotadores, mercenários, no Paquistão, na Somália, no Iêmen, em Uganda, na Líbia e, mais recentemente, também na Síria. Obama invadiu mais profundamente vários países africanos, ricos em minérios e petróleo, que os brancos que o antecederam, Democratas e Republicanos. Os EUA de Obama estão eliminando os poucos governos seculares que ainda havia no Oriente Médio e Norte da África.

Obama é o presidente das corporações norte-americanas. Obama está mais empenhado em impor a dominação total dos EUA sobre o mundo, que qualquer Bush ou Reagan ou Nixon.

Com raízes no Quênia, tem acesso aos mais ricos salões africanos e às “Casas Brancas” negras que há na África e fala àqueles ditadores assassinos açougueiros, mais facilmente que qualquer dos presidentes norte-americanos nascidos em berços capitalistas e, todos eles, brancos.

 

Obama comanda os drones assassinos

Obama é pior que todos esses presidentes que o antecederam, precisamente porque trai todos os “irmãos e irmãs” negros nos EUA – exceto um punhado de negros milionários oportunistas. Obama foi a esperança dos negros e negras norte-americanos pobres; cuidaria de lhes garantir igualdade; foi a esperança de todos os pobres, de todas as cores; e foi a esperança de todos os trabalhadores. Eleito, nada fez, nada, por essas pessoas. Em vez disso, passou a tirar ainda mais dos pobres para dar aos ricos, aos piores criminosos que operam em Wall Street, à indústria da guerra, à indústria do petróleo, dos minérios.

Praticamente todos os conselheiros econômicos de Obama são serviçais de Wall Street e, em muitos casos, são figuras centrais nos crimes econômicos monstros dos últimos anos, quando roubaram centenas de bilhões, até trilhões, de dólares, dos mais pobres e da classe média.

Seus comandantes de guerra, os bandidos que operam a “Segurança Nacional”, os assassinos que servem à CIA, muitos deles são os mesmos dos quais Bush também se serviu, e muitos deles são Republicanos.

Como Comandante-em-Chefe, Obama torturou Bradley Manning, herói nacional dos EUA. E Obama fez o possível, também, para destruir WikiLeaks e seu criador, Julian Assange.

No dia em que Obama foi a Copenhagen para receber (santo deus! É inacreditável!) o Prêmio Nobel, eu estava com uma multidão, em manifestação contra aquele prêmio e aquele premiado, em frente à embaixada dos EUA em Copenhagen. Reproduzo aqui trechos do que disse lá:

Os norte-americanos vivemos num estado de guerra permanente, e Obama continua o mesmo sistema, porque nenhum presidente dos EUA pode sequer controlar, e muito menos poderia abolir esse sistema brutal. Absolutamente não faz diferença alguma a cor da pele, o gênero ou a opção sexual do presidente. Tampouco faz qualquer diferença que seja eleito. O capitalismo e o imperialismo só serão ‘’modificados’’  ou abolidos quando multidões monstro de trabalhadores acordarem e decidirem lutar para ‘’modificá-los’’ e aboli-los. E temos de fazer isso com nossos partidos políticos, não com partidos da dominação capitalista, seja Democrata seja Republicano, nem, na Dinamarca, hoje, com os partidos hoje dominantes.

Amanhã, um presidente norte-americano negro, mas representante de capitalistas e dos senhores da guerra-que-aumenta-os-lucros, receberá um dito ‘’prêmio Nobel da paz’’. Não há e jamais houve notícia de hipocrisia mais completamente absurda: o premiado de amanhã enviou, ontem mesmo, mais 30 mil soldados norte-americanos para matar afegãos lá no Afeganistão, onde os afegãos, que se veem invadidos, os receberão, muito explicavelmente, à bala.

A imprensa-empresa não noticiou que é a segunda vez que Obama enviou mais soldados para o Afeganistão. Antes de completar seus primeiros 100 dias de governo, Obama enviou mais 17 mil soldados, para somarem-se aos 38 mil que já estavam lá.  Em breve haverá cerca de 100 mil soldados dos EUA e cerca de 40 mil a mais, de outros países, inclusive dessa República de Bananas da Dinamarca.

Bush encarregou-se de destruir o Iraque e o Afeganistão. Obama está cuidando de garantir todo o suprimento de sangue latino-americano que o imperialismo deseja. Os nove países da ALBA (Aliança Bolivariana dos Povos da América Latina) formaram uma cooperativa de comércio e rede política e social nos últimos cinco anos e estão cavando trilhas profundas no território do capitalismo naquela região. Bush nada conseguiu fazer contra esse desenvolvimento que foi iniciado por Cuba e Venezuela, em 2004.

Mas o novo presidente “negro” rapidamente detectou que Honduras seria o elo fraco daquela corrente, onde a oligarquia e os militares comandados pelos EUA organizaram logo um golpe de Estado, com a assistência dos generais de Obama. Depois vieram, semana passada, eleições ilegais, realizadas sob estado de sítio interno, com militares armados nas ruas, e que Obama declarou ‘’legítimas’’, apesar de o presidente legítimo (Manuel Zelaya) e todos os seus apoiadores, às centenas de milhares, desejarem apenas que o processo democrático legal seguisse seu curso.

Depois daquele discurso, Obama também apoiou o golpe que derrubou do governo, no Paraguai, o padre católico progressista Fernando Lugo.

O primeiro presidente “negro” dos EUA, eleito sobre uma promessa de paz, é o presidente da guerra sem limites. Tampouco cumpriu de modo significativo outras promessas progressistas da campanha: não fechou aquela usina de tortura que continua a operar na baía de Guantánamo.

O mantra de Obama é “Eu tenho um drone-sonho”.

Encerro com as palavras do Presidente Evo Morales da Bolívia, o primeiro presidente nascido dos povos indígenas do mundo, extraídas de seus 10 Mandamentos:

Primeiro mandamento: Levar ao fim o capitalismo

Se queremos discussão sincera e séria sobre a mudança climática, temos de saber que aí se trava um combate entre dois modos de vida, entre duas culturas: a cultura do lixo e da morte, versus a cultura da vida e da paz. Aí está o xis da discussão sobre a mudança climática. Para preservar o planeta, a vida e a humanidade, temos, antes de levar ao fim o capitalismo!

HASTA LA VICTORIA SIEMPRE!

 

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O significado da nomeação de John Brennan

A nomeação para a chefia da CIA de John Brennan, conselheiro para contraterrorismo do governo BHObama e criador e condutor do programa de assassinatos extrajudiciais com o uso de drones, expõe o aprofundamento do Estado fascista.

Brennan concorre pela segunda vez à chefia da CIA. Na posição de vice do chefe antecessor, George Tenet, sua indicação por BHObama para a chefia da agência, no início do seu primeiro mandato, foi recusada pelo Senado. A razão: sua defesa da tortura de prisioneiros políticos pela agência e pelas forças armadas. Agora, tem-se como certa sua aprovação. Mesmo com as certezas de que suas posições não mudaram. Não: mudou o Congresso, a política. Aos poucos, as sombras fascistas vão se tornando novas luzes.

Tortura

A tortura como técnica de obtenção de informações nem sempre confiáveis  sempre esteve presente no governo dos EUA. Nas décadas de 1960 e 1970, a América Latina foi povoada por ditaduras armadas e/ou apoiadas pela CIA. Basta lembrar o papel dos EUA na instauração das ditaduras de Brasil, Argentina e Chile, por exemplo. As técnicas de tortura eram ensinadas por especialistas militares em cursos que envolveram a maior parte do oficialato latino-americano.

Com a ascensão à presidência de George Bush filhote e a sua corte de políticos e analistas tendentes ao fascismo, ilustrada por figuras sinistras como Donald Rumsfeld, Defesa, e o vice Dick Cheney, e o núcleo reunido em torno do Projeto para um Novo Século Americano, a tortura foi institucionalizada e disseminada. Prisões secretas foram instaladas em dezenas de países, até mesmo em ‘democráticos’ como Polônia e Letônia. O assassinato de combatentes, principalmente muçulmanos, após tortura deixou de ser exceção. Esta política foi e é defendida por John Brennan.

Drones

Na recente audiência no Senado para aprovação de sua nomeação, Brennan contornou a pergunta sobre o uso de drones para assassinatos extrajudiciais, claramente em oposição aos preceitos legais e constitucionais. À pergunta sobre se o governo poderia estender o assassinato com drones ao solo estadunidense, Brennan respondeu que o governo estava determinado a “otimizar a transparência nesses assuntos, mas, ao mesmo tempo, otimizar o segredo e a proteção de nossa segurança nacional”. O World Socialist Web Site, www.wsws, destaca o assunto em sua edição de hoje, 19 de fevereiro.

O governo BHObama, acuado pelas acusações de que os assassinatos extrajudiciais, incrementados em seu “governo de mudança”, contrariam a Constituição, vem tentando legalizar seus crimes mediante medidas paliativas. Uma delas é a criação de “tribunais secretos especiais” para aprovação das listas de pessoas a serem assassinadas, tarefa hoje de sua exclusiva responsabilidade.

O pai dos drones

O governo Bush filhote empreendeu diversas políticas que tiveram (e têm) por base a violação de preceitos constitucionais. Na verdade, o governo Bush ignorou e rasgou a Constituição, com a conivência dos poderes legislativo e judiciário. Entre outras medidas:

* fingiu papel de omisso na lenta e complexa organização dos atentados de 2001 às torres gêmeas, que lhe deram direito às ações subsequentes / * impôs a um Congresso amedrontado a Lei Patriota, que extinguiu direitos internacionais plurisseculares como o do habeas corpus / * tornou rotina a prisão de qualquer cidadão em qualquer parte do mundo, a partir daí privado dos seus direitos ancestrais de defesa e assistência por advogados / * empreendeu invasões de países contra os quais não havia declaração de guerra, negando cláusula expressa da Constituição / * mentiu e falsificou informações perante a comunidade internacional e o Conselho de Segurança da ONU / * instaurou programa de prisões secretas disseminadas em dezenas de países (até mesmo ‘democráticos’ como Tailândia, Polônia, Lituânia, Romênia e Marrocos)  e um programa de tortura sistemática contra inimigos combatentes, com ênfase para muçulmanos / * criou um programa de assassinatos extrajudiciais com drones, aviões sem piloto: neste programa, contou com a supervisão de John Brennan / * violando dispositivo secular, colocou tropas militares no solo do país / * criou uma polícia interna voltada para a repressão aos dissidentes do país, violenta, arbitrária e bilionária (orçamento anual de mais de US$ 70 bi) / *etc.

Outra medida de alcance sem fim foi  definição da política estratégica de “guerra ao terror”, criação de seu governo para tornar perpétuas, agora com “justificação”, as intervenções armadas em todo o mundo. Esta inovação perversa implica que o governo dos EUA passa a definir a seu talante o que seja “terrorista” ou “organização terrorista”. A Lei Patriota incluiu a generalização entre seus arbítrios: uma demonstração de rua que atrapalhe o trânsito pode ser enquadrada como “ação terrorista”, tanto quanto uma greve.

O patrono do encobrimento

O governo BHObama bloqueou todas as tentativas de levar aos tribunais os responsáveis pela barbárie em que se constituiu a política interna e externa do país desde 2001. Ao contrário, incrementou o uso de drones para assassinatos extrajudiciais, sob a supervisão do agente que pretende colocar na chefia da CIA.

A cada vez maior ausência de resistência a essa onda fascista no país mostra a persistente penetração dos conceitos e das práticas fascistas na política e na vida civil estadunidense. O chamado Comitê de Assuntos de Inteligência do Senado nunca realizou sequer uma sessão para tratar dos drones. Matar alguém sem processo ou acusação em qualquer parte do mundo tornou-se rotina, praticada a partir de uma tela sobre alvos selecionados sob critérios sempre secretos.

Não satisfeito com sua campanha assassina ilegal e condenável, BHObama vem de criar uma medalha para condecorar pilotos de drones, meros operadores de videogames do crime. A insensibilidade da maioria dos políticos e muitos dos cidadãos frente a esse quadro lembra irresistivelmente o fim da República de Weimar e a ascensão de Adolf Hitler ao comando político da Alemanha.

Lá, como agora nos EUA, as grandes indústrias, principalmente as da guerra, estavam associadas às finanças e ao governo. Um velho filme reprisado, mas com uma diferença fundamental: agora há mais de 10 mil ogivas nucleares no jogo, e os drones realizam a tarefa suja sem que soldadinhos morram.

Finalmente, uma guerra limpa: mata-se o “inimigo” (paciência: mulheres e crianças morrem também, mas ninguém é perfeito…) e ninguém morre do lado do assassino. Ao contrário: os operadores dos assassinatos são condecorados. E a CIA considera terrorista nos crimes com drones qualquer adulto do sexo masculino.

E o assassino-chefe BHObama é celebrado pela mídia em todo o mundo pela conquista do seu segundo mandato. Como se fosse um herói da “democracia” e da “liberdade”. O que diz tudo sobre essa mídia.

Veja-se o video: http://www.informationclearinghouse.info/article30620.htm

 

 

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BHObama e o Estado assassino

As promessas de BHObama na campanha pelo seu primeiro mandato não foram cumpridas. Mas ele se salva agora com a área “social”: imigrantes, serviços médicos, aumento de impostos para ricos que nada pagam, coisinhas menores do imenso Estado imperial em acelerada decomposição social e econômica.

O infame e abjeto centro de “torturas científicas” de Guantánamo continua em operação. As prisões secretas em vários países continuam em operação. As prisões de “suspeitos” e sua entrega a governos torturadores continuam em operação.

A prisão de qualquer cidadão sem razão, comunicação a familiares ou advogados, e a manutenção do preso por tempo indeterminado em caráter secreto é parte do aparato jurídico do atual império. Para o governo BHObama, tanto quanto para o do odioso Bush, é “legal”. As tentativas de processar membros do governo fascista de Bush filhote foram barradas por BHObama.

Os financistas responsáveis pela maior crise da história do capitalismo e dos EUA, que persiste intacta, se não pior, continuam impunes; nenhum foi sequer processado. Melhor: foram regiamente recompensados com a compra de títulos podres para ‘limpar’ os ativos de seus bancos-gângsters e com doações generosas de dinheiro público.

Drones

Os ataques com aviões sem piloto, os ‘drones’, são especialmente bem vistos hoje pelas forças armadas, já que nenhuma vida de militares ou agentes estadunidenses corre riscos. Sob BHObama, os drones vicejaram, e hoje há mais pilotos de drones sendo treinados no país do que pilotos de aviões de guerra ’convencionais’.

BHObama gosta de drones: matam cidadãos de outros países, nenhum cidadão dos EUA se arrisca, e as mortes são sempre noticiadas pela big midia como de “terroristas”, felizmente eliminados para a segurança do país. A palavra mágica autoriza tudo: matar “terroristas” é ato até mesmo cristão, e, se forem carimbados como da ficção “Al Qaeda”, melhor ainda.

A questão é que nesses ataques morrem muitos civis, crianças, mulheres e idosos, pessoas que nada têm a ver com a ação de inimigos do império. Muitas bases secretas pelo mundo operam esses drones, estando a sede em território dos EUA. Nem sempre as informações sobre os ‘inimigos’ são plenamente confiáveis. Além disso, muitas forças imperiais mantêm drones em ação: forças armadas, CIA, Departamento de Segurança Interna, Guarda Costeira, e outras.

Mais além da imaginação

Mas a questão dos drones ultrapassa as simples e falsas posições que a grande mídia insiste em nos apresentar como os ‘problemas’. Há algumas condições que podem desenvolver-se na direção de crises sem solução. Algumas delas:

.1  É absolutamente inaceitável que um governo como o de BHObama, sob a falsa alegação de que empreende uma “guerra ao terror” sem final à vista (pantomima que já dura desde 2001), dedique-se a assassinar cidadãos de outros países, sem processo legal, sem acusação e sem sequer saber seus nomes, caso da maioria. A não ser que todos os governos sejam como o do Paquistão, país que assiste com protestos verbais inócuos à operação de drones assassinos em seu território.

A rede de TV NBC acaba de revelar um documento de 16 páginas do Departamento de Justiça (ministério) em que se expõe a validade de se passar a assassinar cidadãos estadunidenses com drones, desde que “um alto funcionário” identifique tais cidadãos como ameaça à segurança do país. A indicação fica mais fácil: basta um funcionário; nada de análises de serviços de inteligência, pesquisas acuradas, etc.; basta um dedo de um funcionário. É aterrorizante o nível em que o fascismo vai penetrando os tecidos mais íntimos do poder nos EUA.

3  Uma das tarefas diárias de BHObama é aprovar a “Kill List”, a relação de pessoas que serão assassinadas por drones em todo o mundo (Paquistão, Afeganistão, Somália, Yemen, Indonésia, agora Mali, etc.). É aterrorizante o nível delirante em que o fascismo vai penetrando a vida do poder e o trabalho diário dos mais altos escalões, incluído o presidente.

Recentemente foi noticiada a elaboração do ‘Manual de Assassinatos’, conjunto de instruções sobre os critérios de se matar ‘inimigos’, documento ao qual se dedicam hoje altos assessores do presidente, sob sua supervisão. A medida foi considerada necessária em razão da multiplicação das bases de drones e das forças que passam a dispor do aparato.

É preciso disciplinar sem burocracia: por exemplo, uma base secreta no Yemen passará a ter autonomia para, conforme o manual, disparar mísseis contra alvos ‘inimigos’ identificados.

Todo dia (ver correção ao final), o presidente dos Estados Unidos da América aprova uma lista de pessoas a serem assassinadas, sem conhecer sequer uma delas, sem saber de que são acusadas, sem preocupar-se com procedimentos jurídicos. Mate-se, e está feito o negócio. Uma pena que morram civis inocentes… a vida, digo, a morte é assim mesmo, deve ele dizer para Michelle nas suas noites insones.

Há pouco o Irã capturou e baixou um drone dos EUA que se intrometera em seu espaço aéreo. O regime teocrático dos aiatolás deu difusão ao fato e afirmou que estavam sendo levados a efeito estudos tecnológicos sobre o artefato. Ou seja, é possível que um avião pilotado por controle remoto admita a entrada de outro controle sobre seus instrumentos.

Pouco após o Irã ter capturado o drone, uma equipe de universidade dos EUA, manipulando um aparelho construído lá mesmo por cerca de 1 mil dólares, obrigou um drone a pousar no campo próximo ao campus. Em pouco tempo, jovens semelhantes aos hackers atuais estarão capturando drones armados com mísseis e bombas de última geração. Aliás, da mesma maneira em que entram hoje nos mais impenetráveis sites, como os do próprio Pentágono. É possível, é fácil, e não deve demorar.

A concepção de drones vai muito além de aviões de pequeno porte capazes de carregar armas de destruição poderosas. O Pentágono, maior financiador de pesquisas em universidades dos EUA, vem aperfeiçoando a busca por objetos minúsculos capazes de filmar, gravar, transmitir e documentar, ou atirar substâncias nocivas no ambiente.

http://www.informationclearinghouse.info/article34040.htm. Video oficial

Não se trata, como afirmou um jornal da grande mídia, de drones do tamanho de um beija-flor. Isso já existe aos montes. O nó é o que os luminares do Pentágono chamam de “poeira inteligente”: a aplicação da nanotecnologia a serviço de um Estado assassino.

Como se vê, os drones vieram para ficar; e, caso se mantenham as linhas atuais, para transformar a vida de todos num inferno.

Post scriptum

(1) Ontem, 7 / 2 / 2013, John Brennan, em audiência no Senado dos EUA para aprovação (ou não) de sua indicação a chefe da CIA, defendeu o programa de ataque com drones, do qual ele é o principal arquiteto, como “mais humano” que bombardeios e ataques, e afirmou também que “as vítimas civis são raras”. São suas as palavras.

Ou seja, uma só morte não significa mais nada para o Estado imperial. As questões de ordem jurídica, ética, moral e lógica desaparecem perante este argumento: Como matar com drones é mais econômico, mata menos gente (apesar de matar civis), poupa vidas de cidadãos dos EUA, é ‘cirúrgico’, etc., então os drones ficam ‘justificados’.

Este tipo de pensamento só pode vicejar numa cultura política fascista, em que o assassinato tornou-se norma diária, e em que o presidente toda semana (corrijo-me: não é todo dia) aprova o despejo de bombas ‘localizadas’ sobre ‘inimigos eternos’, definidos como tal após a falsificação dos ataques às torres em 2001.

BHObama mantém as farsas de Bush, e nunca se esperou que fosse diferente, apesar do clamor da mídia em favor de sua presença política no país como ‘renovação’, ‘novos tempos’, etc. É a mesma coisa, a mesma farsa, o mesmo assassino.

(2) Mais de 50 países operam drones, a maioria como parte de sistemas de vigilância. A pergunta que vem sendo posta é simples: se os EUA podem bombardear países contra os quais nunca houve declaração de guerra, a exemplo de Paquistão, Yemen e Somália, o que impede qualquer outro país de bombardear áreas de seus inimigos, inclusive os próprios EUA? E que tal a China passar a bombardear Taywan? E o Irã reagir contra Israel, que pretende bombardear o país em nome de interromper seu programa nuclear enquanto é o único país do Oriente Médio armado até os dentes com armas nucleares? É uma velha pergunta que crianças se fazem: porque só você pode brincar? Eu também posso.

 

 

 

 

 

 

 

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Obrigado, amigo Carlos Latuff!

O Centro Simon Wiesenthal, arma componente da guerra do Estado de Israel e das políticas sionistas criminosas contra o povo palestino, tornou pública uma lista de inimigos mundiais ‘antissemistas’ em que Carlos Latuff aparece como o terceiro colocado.

Tenta, assim, colocar sobre os ombros de Latuff o peso de ser ‘antissemita’, de ser contra o povo judeu, e não o que ele é, e somos, militante contra as políticas fascistas do Estado de Israel.

A ditadura brasileira assassina de 1964 a 1985 jamais será justificada contra alguém que possa ser considerado ‘antibrasileiro’ por ter-se posicionado contra seus desmandos e combatido suas arbitrariedades. Mas o Estado de Israel confunde as realidades para suprir a ausência de argumentos em favor de suas políticas genocidas.

Cercam-se assim de falsas muralhas que, transparentes, desnudam seus crimes.

Devo agradecer ao amigo Latuff as ilustrações que vêm iluminando meus textos há alguns anos nesta revista. As janelas “EUA: Rumo ao Estado fascista” e “Chico Villela”, acessíveis na capa desta NovaE, trazem algumas dessas ilustrações.

Manifesto, não sem confessar inegável carência de méritos, meu orgulho por me saber acompanhado de tão brilhante e cristalina inteligência e coragem. Os desenhos de Latuff falam por si, dispensam acompanhamentos.

O amigo Manoel Fernandes, editor desta revista, teve a gentileza de compor duas tiras de desenhos de Latuff para este blog, que se alternam conforme as postagens dos textos.

Obrigado, amigo Latuff! Seguimos juntos, irmanados contra as seculares vilanias cometidas contra o povo judeu e contra a política do Estado de Israel.

Abraço fraterno!

 

 

 

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Pensar e lembrar

A filha de José Genoíno registra uma carta de atualidade. É preciso pensar sobre esses fatos, sobre a aliança da grande mídia e dos conservadores com os altos tribunais. O que penso sobre isso está no texto ‘O abismo da justiça’, neste blog. Abro espaço para Miruna. Aguardamos os mensalões do PSDB, do Serra, do Arruda… Talvez se aqueles senhores todos de togas e capas pretas surgissem em calças e camisas, como todos nós, pudessem perder a aura falsa de poder que nunca tiveram.. E ficassem humanos!

 

 

CARTA ABERTA DE MIRUNA GENOINO
A coragem é o que dá sentido à liberdade

Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada.
Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.
Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim
teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?
Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas…
Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir
para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem
perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e  amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão
até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?
E sigo…
Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao  seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?
Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de
sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas…
Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o
respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas…
Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente
ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão? Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento
cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?
Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais.
Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.
Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros
textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.
Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e
muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos lêem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos
mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.
Com toda minha gratidão, amor e carinho,
Miruna Genoino
09.10.2012

 

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O abismo da justiça

Uma nova face da tragédia brasileira

O Brasil tem alguns abismos a serem vencidos de frente antes de se tornar gente grande. A educação é um deles, imenso. E transcende a formalização e os graus e cotas e escapes sociais; vai além, ao envolver a cidadania, educação de ordem suprema e complexa. Basta olhar para qualquer cidade ou vila e presenciar a ausência ou o desrespeito a direitos elementares do cidadão.

 

O abismo da justiça

Mas o recente espetáculo do Supremo Tribunal Federal no julgamento da ação 470, chamada de “mensalão do PT”, escancarou para a sociedade um ângulo do que sempre se conheceu como o “abismo da justiça”.

A justiça brasileira foi sendo organizada em resposta aos poderes de início coloniais e, depois, imperiais e republicanos, para a saudável ‘manutenção da ordem’ e, como desde a sua origem, a solução dos conflitos entre os poderosos.

Até ali pelos anos 1930, pobres não tinham acesso efetivo à justiça. Escravos nunca tiveram: a justiça sempre atendeu aos mandantes brancos. Alçada a poder, o que sempre foi, mesmo nos regimes monárquicos, embora sujeita aos ditames dos nobres poderosos, organizou-se corporativamente como poder republicano e reservou-se privilégios até hoje intocados, se não crescentes.

Como no mundo dos poderes religiosos (felizmente afastados da idéia de estrutura da república, e tornados apenas direito de opção dos cidadãos), manteve a pompa, os palácios suntuosos, os trajes esdrúxulos, a liturgia destinada a afastar o homem comum de seu alcance, a linguagem reversa própria e adequada à sua particular andança social. E, como é brasileira e serva do poder real, emprega em seus palácios rencas de parentes e amigos e relativos dos seus membros permanentes, numa estrutura vertical que se destina a sempre prolongar e esticar ao fim a corda das soluções das questões que chama para sua esfera. E tome apelações, embargos, liminares, interposições de recursos, infringências, extinções de aplicabilidade por decurso de prazo, sabe-se lá o que mais, um cipoal particular.

 

Até que foi bom

O julgamento do chamado “mensalão do PT” teve características inusitadas.

A mais notável foi a inclusão de todos os mais de 40 envolvidos no processo em curso no STF. Apenas meia dúzia é do PT, mas a imprensa marron e “livre” do país batizou a ação 470 de “mensalão do PT”. Banqueiros foram condenados, embora o PT não tenha banqueiros…

O “mensalão do PSDB” é anterior em alguns anos ao “do PT”, mas repousa em gavetas ministeriais do STF, coberto por togas e becas. Não se explicou o porquê de o mensalão do PT tomar a dianteira. Mais interessante ainda: no mensalão do PSDB (que envolve mais recursos financeiros que o do PT), apenas dois dos envolvidos ficaram a cargo do STF: o ex-governador e senador Eduardo Azeredo e o seu vice Mares Guia (que, por fazer 70 anos agorinha, ficará de fora! Benesses da justiça nacional: Paulo Salim Maluf, um dos maiores ratos da história do Estado republicano brasileiro, também vem escapando de processos por ser maior de 70. Penso que maiores de 70 deveriam levar penas maiores.)

Os demais responsáveis pelo mensalão do PSDB ficaram a cargo da celebrada “justiça comum”, valo infinito de enrolações sem fim que nunca chegam, claro, ao fim. O atual chefe do STF deu prazo à “justiça comum” para encerrar os trâmites e encaminhar ao STF todos os documentos até 40 dias após sua posse. O STF volta do recesso em fevereiro, mais de 40 dias após o “ultimatum” de Barbosa. A se ver.

 

Serra, serra, serrador

O cidadão comum, nós, crê mesmo que o filme vai ser o mesmo? Que os ministros vão vociferar moralidades contra os ilustres envolvidos do ‘outro lado’? Que a imprensa marron e “livre” vai dar cobertura permanente, absoluta, total ao mensalão do PSDB? Com chamadas de jornal nacional da Globo e manchetes diárias, mesmo que sem substância? Ou que o processo terá o mesmo rigor da ação 470? Hoje é dia 24 de dezembro, amanhã vem papai noel…

Há uma realidade sem contestação: as forças conservadoras estão sem saída, e a ‘oposição’ não se acostumou à idéia de estar fora do poder. Sua última derrota chama-se José Serra, corrupto documentado (o livro A Privataria Tucana é dos mais vendidos no país) e perdedor: perdeu para um estreante que, no início da campanha, tinha 3% dos votos e nunca havia disputado uma eleição. Serra foi abrigado como secretário de governo pelo mais legítimo representante político da extrema-direita do país, o governador Geraldo Alckmin, de São Paulo e do Opus Dei internacional. Serra é tão indigno que aceitou a o abrigo. Todo cuidado é pouco com essas figuras sinistras.

A questão para essas figuras é destruir Lula e Dilma e PT para voltar ao poder. Mas, como a população tende a votar cada vez mais em apoio às políticas sociais iniciadas com Lula, a solução é sempre a velha prática do golpe. Para tanto, criou-se a organização parafascista Instituto Millenium, que reúne (surpresa!) Globo, Abril, Folha de SPaulo, Estadão e o sulista Grupo RBS. Na sua sessão inaugural, o ‘intelectual a serviço’ Arnaldo Jabor foi aplaudido ao afirmar sobre “essa esquerda que não tem mais razão de existir”. Adolf Hitler, que saudade!

 

Fux-se

O neologismo do título fica por conta da verve de repórter político sênior: lembra ‘fuck you’, expressão inglesa que traduz o amplamente usado nacional popular ‘foda-se’. O “ministro” Fux-se confessou em entrevistas que peregrinou por gabinetes de líderes do PT e alhures mendigando apoio para sua indicação ao cargo. Um exemplo claro da sua parca dimensão pessoal.  Já no cargo, votou contra José Dirceu com base na sua interpretação do conceito jurídico de “domínio do fato”. Junto com outros ministros, condenou Dirceu sem qualquer prova: não há. Sua interpretação do conceito, no entanto, foi gargalhada país afora, até mesmo por estudantes de direito. Mas o precedente é perigoso: a presidenta Dilma pode ser condenada por algum deslize de um ministro: afinal, é a mesma situação política.

A última realização do curioso Fux-se foi a afirmação, na posse de Barbosa, de que o Poder Judiciário deveria intervir “na solução de questões socialmente controversas, como reflexo de uma nova configuração de democracia, que já não se baseia apenas no primado da maioria…”.

Ou seja, jogue seu voto fora; agora, o STF é que vai decidir em seu nome, já que a “democracia” mudou de “configuração”. Não me lembro de alguém dizendo coisas assim após o Adolfinho. Pelo menos, não com essa desenvoltura.

O mesmo Fux-se deu abrigo a pedido ao STF de deputado do RJ (fosse eu presidente da Câmara, encaminharia o pedido de cassação desse deputado) e “proibiu o Congresso” de “analisar os vetos da presidenta Dilma à nova lei dos royalties”.  Alegação do luminar do direito pátrio: havia muitos vetos aguardando votação. Alguém lembrou ao Fux-se que o mensalão do PSDB também aguarda na fila? O que vale para a Câmara não vale para o STF? E desde quando o STF “proíbe” a Câmara de tomar medidas de sua competência? Adolfinho, meu querido! Volta!

 

A liturgia perdida

A aliança espúria entre a mídia marron e “livre” do Brasil, monopolizada e autocrática, eleva a grau de qualidade louvável a grossura e a ausência de civilidade e elegância do seu atual presidente Joaquim Barbosa. Trata-se de ser intratável; não demonstra a mínima condição de fazer parte de um tribunal da importância do STF. Não contribui para educar ou edificar as novas gerações, como pretendem seus áulicos. Avilta a dignidade de um poder magno da República.

É como se Lula coçasse o saco numa cerimônia oficial, em violação imperdoável da liturgia do evento e do seu cargo. Este exemplo é absolutamente grosseiro, mas é também absolutamente adequado ao atual presidente do STF. Não vi nenhuma referência na mídia ou na imprensa jurídica a esse comportamento desabonador, traduzido sempre como “combatividade” e “assertividade”. Deve ser porque a liturgia já foi abandonada há muito, e só exista para consumo das massas. Ou alguém pensa que o ‘chefe de jagunços’ Gilmar Mendes (a expressão é de Barbosa, e é correta) tem alguma dignidade acumulada nos seus cofres milionários?

 

A justiça brasileira sempre me suscitou sentimentos de vergonha de ser brasileiro. Mas agora o trem anda em novos trilhos: sinto o mais profundo nojo desse poder espúrio, corporativo, que se encaminha para atitudes claramente fascistas, pelas mãos de personagens ridículas como Mendes, Barbosa, Fux-se, Celso de Mello e seus pares iguais. Há exceções, mas submergem nesse mar medíocre, errático, incoerente e vagabundo. Mas apaixonado por holofotes…

 

Justiça se faça

Sempre se falou da desmoralização do Poder Legislativo, inconteste e em contínua queda de credibilidade. Penso que o Poder Judiciário passa a competir a sério com os senhores eleitos. Mas pelo menos são eleitos: que tal elegermos também nossos guardiões da Constituição? Afinal, elegemos quem a escreve e ficamos à mercê de desclassificados que a alteram à sua interpretação mais que conveniente ou, como se vê, aberrante?

É uma anomalia do funcionamento da democracia. Há de ter solução, e no voto.

 

 

 

 

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As lágrimas do Neguinho

Um jovem psicopata de 20 anos, fauna abundante na chamada América do Norte ou Estados Unidos da América, assassinou (tudo indica que com comparsas, fato ainda obscuro na imprensa) 20 crianças e 6 mestres e funcionários numa escola elementar de uma pequena cidade até então pacífica e sossegada, no nordeste do país, região desenvolvida onde tudo começou antes da expulsão dos conquistadores britânicos, declarados assassinos.

O reeleito presidente BHObama, prêmio nobel da paz logo após a primeira eleição (o que esclarece a falsificação em que se tornou o tal prêmio), manifestou-se a respeito e, durante seu pronunciamento, deixou correr algumas lágrimas. Emocionou-se o rapaz.

A imprensa pressurosa reproduziu o momento, o rosto congestionado, a emoção do homem mais poderoso do mundo que chorava a morte de 20 crianças nas mãos de um louco. (Fotos e notícias de massacres sistemáticos de famílias no Afeganistão, soldados urinando em cadáveres, milicos com coleções de dedos e ossos de “inimigos”, claro, nada disso cabia nessa hora).

No mesmo dia, o mesmo presidente autorizou mais ataques de aviões sem piloto, chamados drones, contra populações indefesas em que, invariavelmente, morrem muitas crianças, mulheres, velhos e outros cidadãos alheios às razões imperiais dos ataques: eliminar “terroristas inimigos”. Alguns países têm sido vítimas desses ataques, com destaque para Afeganistão, Yemen, Somália, Paquistão, Sudão, e um vasto etc.

A expansão do programa de assassinatos por drones é exclusiva responsabilidade de BHObama, nada a ver com alguma herança do abominável George Bush. Hoje, treinam-se mais pilotos de drones nos EUA do que pilotos de aviões de combate. Para quem não sabe: operadores de drones trabalham em frente a telas de computadores, e comandam máquinas de morte com botões, em bases situadas no território dos EUA. É quase um videogame. Só que mortal.

Matar crianças é esporte antigo. Agora mesmo, o representante da ONU/Unicef  no Yemen denuncia que mais da metade da população infantil iemenita é desnutrida, a maioria de forma aguda.

Matar crianças pode ocorrer por outra maneira, mais sutil, que até mesmo escapa dos olhos da “imprensa”. Na guerra do Vietnã, mais de 1 milhão de crianças foram mortas, seja por bombardeios, seja por doenças derivadas do despejo de venenos nas plantações, seja por desnutrição ou por tristeza pela privação de seus lares e pais e familiares.

Em 2001, o celerado Saddam Hussein, julgando-se no seu direito (o que nunca ninguém lhe negou), tentou retomar seu antigo território iraquiano do Kuwait, riquíssimo em petróleo, e que havia sido usurpado pelos imperiais dominadores que definiram os ‘Estados’ artificiais do Oriente Médio, norte da África etc.

O então presidente Bush pai, junto com o Reino Unido (o mesmo da rainha bilionária), dedicou-se durante 12 anos, até 2003, a eliminar toda forma de vida social no então Iraque.

Estabeleceu-se uma zona de exclusão aérea, imobilizou-se qualquer resistência, montou-se sistema complexo de bloqueio econômico (como com Irã hoje), e durante 12 anos aviões sem defesa bombardearam hospitais, adutoras, escolas, instalações elétricas, plantações, pontes e obras civis, sistemas de abastecimento de água de cidades e vilas, estradas, numa campanha compreensivelmente ignorada pela “imprensa”.

Em 2003, o filhote fascista George Bush completou a obra e invadiu o país com toda a força do império. Foi fácil: a resistência inexistia. Anotam-se cerca de 1.800.000 mortos e 4.500.000 de expulsos de seus lares, sendo 2.500.000 para outros países. Entre estes, a maioria sempre foi de crianças.

Mas isso é história, chuva no molhado. O que é necessário destacar é que o bloqueio entre 1991 e 2003 atingiu medicamentos, equipamentos hospitalares, e chegou até mesmo a tornar raro o giz escolar.

Agências da ONU e dezenas de agências de países constatam, sem possibilidade hoje de contestação, que cerca de 500 mil crianças morreram de doenças evitáveis e curáveis caso existissem condições sanitárias normais, água pura, medicamentos elementares para doenças como diarréia, etc.

O número de 500 mil é hoje incontestável. 500 000 dividido por 20 dá exatos 25 000. Vinte crianças vezes vinte e cinco mil dá quinhentas mil crianças mortas.

Mas são crianças iraquianas, não são gente. As 700 mil crianças famintas do Yemen (que sofre ataques dos EUA diariamente, expressamente autorizados pelo Neguinho lacrimejante) também não contam, são seres de segunda classe.

Se alguém quiser ver nesses dados razões profundas da ação dos psicopatas que quase todo dia assassinam crianças e cidadãos nos EUA faria melhor do que ficar procurando explicações na venda livre de armas ou nas tradições violentas e assassinas da sangrenta história do país.

 

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